domingo, 12 de setembro de 2010

Companhia das Lezírias ao serviço de Samora

Não nasci em Samora, mas aqui cresci e amo esta terra mais que muitos que aqui nasceram, tenho a certeza disso! Cresci e brinquei muito na Murteira e nos terrenos de Belmonte e Vale Cabras pertencentes à Companhia das Lezírias (CL). Guardo com ternura e muita saudade esses belos tempos e essa liberdade de poder usufruir dum local fantástico em pura harmonia com a natureza e com o campo. Alguns familiares meus trabalharam uma vida para servir orgulhosamente esta entidade que foi das maiores empresas agrícolas da Europa. A ela devem muito mas acho que a CL mais lhes deve pois foi com a força dos seus braços que se ergueu esta grande “empresa”. Do trabalho humilde dos milhares de trabalhadores que por ali passaram.
Mas actualmente esta grande entidade parece estar de costas voltadas para a sua terra, Samora Correia. Digo isto pois o acesso aos belos locais e propriedades da CL encontra-se limitado e circunscrito a caçadores e burgueses de Lisboa e Cascais que pagam valores elevados para fazerem as suas caçadas ou outras actividades por intermédio de empresas de eventos. Então e o povo? E os samorenses? Aqueles que vivem lado a lado com estas herdades e cujos pais, avós ou tios serviram esta empresa durante tantos anos? É compreensível que os tempos sejam outros e que haja muito vandalismo e assaltos, e, há realmente a necessidade de vedar as propriedades. Não estou a reivindicar que se tirem as cercas e portões, apenas que se encontrem soluções para que a população em geral possa usufruir mais desta riqueza natural aqui mesmo a nosso lado. É que Samora Correia tem das maiores zonas de campo do país mas, ao contrário de outros concelhos vizinhos (Coruche, Salvaterra, VFX) NÃO TEM NENHUM ESPAÇO DE CAMPO para fazer um picnic, pescar, para dar um passeio de bicicleta ou levar a família. Quando trouxe um casal amigo de Alverca e tivemos que ir para a Barragem de Magos para fazermos um picnic em plena natureza, eles nem queriam acreditar como era possível Samora Correia estar totalmente rodeada de campo, planícies, montados e não existir nenhuma estrutura para tal. E parece mesmo surreal, mas é um facto!
Aquilo que proponho é a criação de uma parceria entre a CL, a JF Samora e a CMB para que se crie uma área de acesso livre (p.ex. a barragem de Vale Cobrão, que tanta tradição tem junto da população samorense), com infra-estruturas próprias, caixotes do lixo, mesas e bancos, zonas para fazer lume, vedada no seu perímetro para evitar abusos e com a contratação de um segurança privado que poderia até fechar o portão à noite em horário a decidir. Será muito difícil chegar a esse consenso? É que não gostava de passar essa vergonha de novo, de trazer pessoas de fora e ter de levá-las para outras localidades.

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