As medidas levadas a cabo pelo governo francês, sob a batuta de Nicolas Sarkozi, na expulsão dos ciganos romenos e albaneses tem obviamente originado enormes discussões e reacções por alguns parceiros europeus. Mas essa onda de reacções não foi tão dramática como se esperava, nem mesmo na própria França, o país do intocável “Igualité, fraternité, …”
E porque será? Será pelo facto do governo gaulês ter tido a coragem de por em prática aquilo que mais de metade dos cidadãos europeus pensa mas não tem a coragem de assumir? Esta politica é controversa e pisa terrenos extremamente sensíveis, na fronteira ténue entre o bom senso, justiça social e a xenofobia. E aqui é preciso ter muito cuidado pois o fantasma do nazismo, franquismo, salazarismo, conflitos étnicos sérvio-bósnios ainda pairam na velha Europa. Ora, desconhecendo eu todos os pormenores desta controversa decisão do governo francês e o modo como decorre na prática, limito-me a assumir que o que Nicolas Sarkozi pretende não é especificamente contra os ciganos mas quem vem para o país não para trabalhar mas para pedinchar e viver da esmola, dos assaltos ou mesmo dos subsidios da segurança social. E a segurança social francesa, com o seu invejável e alargado sistema de ajuda ao cidadão com menos rendimentos, chegou ao limite encontrando-se o seu futuro altamente comprometido. E se o alvo destas medidas forem especificamente os que não geram, nem querem gerar riqueza, então a decisão tem o apoio de muita gente e mesmo de alguns países europeus, como é o caso da Itália que também procedeu à expulsão de romenos, albaneses, sérvios e africanos. É muito fácil fazer demagogia com estas situações e sair em defesa das minorias trazendo à baila palavras fortes como racismo, xenofobia, desigualdade e injustiça. Mas para mim, nunca se tratou disto. Quando começámos a sentir na pele a falta de trabalho e a insegurança nas ruas com todas as ondas de assaltos e crimes, também foi fácil acusar os emigrantes, é certo! Mas, mais uma vez não podemos generalizar pois nem todos vêm para roubar. E aquilo que parece complicado pode tornar-se mais fácil se expulsarmos quem não tem cidadania portuguesa e que incorra num crime ou não tenha trabalho por mais de 1 ano (p.ex.). Para mim só faz falta quem vem para trabalhar e criar riqueza (desculpem a franqueza e rudeza). Foi assim com os meus pais que emigraram para França. Foram para trabalhar, ganharam o seu dinheiro e cumpriram com as normas e regras desse país. Não pode ser de outra maneira. Nada, e friso que, nada tem a ver com raças, religiões, etnias ou outras diferenças. Tem a ver com justiça e igualdade de oportunidades para com os que cumprem, os que trabalham e os que descontam os seus impostos. O resto são mesmo demagogias!
Opinador pois não consigo estar "calado". Tenho sempre que dar a minha opinião e o meu "bitaite"... mesmo que ninguém mo peça! Ignorante pois embora opine sobre tudo e todos assumo despreocupadamente que não sou especialista em coisa alguma: tenho umas ideias...
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
A Politica
A política é uma chatice! Mas a política é necessária e imprescindível! A política é a expressão máxima dos ideais face à organização de uma sociedade! É o veículo único para a evolução e desenvolvimento desta! No entanto também pode ser a origem do caos, da crise, da guerra e por fim do declínio dessa mesma sociedade! A política é uma merda! Então mas se é tão importante e necessária porque é uma merda? Simples: porque é aplicada e usada por políticos! É neles (e no homem em si) que reside o problema! A política é um conjunto de ideias e ideais, regras, algumas mais rígidas que outras, outras mais utópicas que outras mas que servem de base à organização e administração de uma sociedade, grupo ou conjunto de indivíduos. Se não existirem pelo menos 2 indivíduos a politica não faz qualquer sentido mas para viver em sociedade ela é mesmo imprescindível. Poderão contrapor os mais cépticos e os mais anárquicos que esta só traz problemas, discussões, incoerências e desigualdades. Não deixa de ser verdade, mas se formos práticos temos: ou seguimos uma politica e as suas regras ou vivemos sem qualquer regra! A 1ª opção todos conhecemos bem e tem tanto de coisas boas como de aspectos negativos. Mas da 2ª opção apenas sabemos que esteve no inicio da base da constituição de todas as sociedades e… acabámos por evoluir. Era inevitável, pois viver em completa anarquia só funciona se o ser humano fosse perfeito, 100% justo e 100% correcto. Mas o ser humano é fraco, ambicioso e pode mesmo ser cruel! Haverá sempre quem ambicione ter mais que o estritamente necessário e pior ainda, ambicione a riqueza e a felicidade do vizinho. E depois, quem poderia impor regras básicas como o direito a usufruir do que o que ganhamos, comer o que cultivamos? Ou ainda garantir a nossa própria segurança ou a segurança da nossa família? Após a evolução humana desenvolver processos de socialização mais complexos tornou-se inevitável a existência de uma organização hierárquica, do estabelecimento de regras, do surgimento da política.
O grande problema da política acaba por ser o facto das pessoas se ligarem em demasia aos ideais que cada ramo enceta, esquecendo as verdadeiras necessidades dos indivíduos como parte integrante duma sociedade. Alguns ficaram completamente para trás neste processo evolutivo e vivem em autênticas utopias e sonhos completamente impossíveis de concretizar nos tempos modernos. Os extremos (tanto à esquerda como à direita) também nunca serão uma opção válida pois os desequilíbrios que causariam seriam tremendos. A política tem hoje uma forte influência na economia! Ou melhor: a economia tem uma influência fulcral na política e esta anda agora a reboque das teorias e realidades económicas. Com o processo de globalização a Economia tornou-se a fonte, a origem e causa de tudo e a Política acaba por seguir no seu encalço, “dançando” ao seu ritmo. Só com uma economia estável qualquer governo pode garantir um benefício social a todos os seus cidadãos. Quando, tanta vez, se diz que todos deveriam ganhar o mesmo, que deveria ser retirada riqueza aos mais ricos e distribuir pelos menos ricos, isso é um grande erro pois o que mexe qualquer economia é o investimento e a expectativa de obter resultados compensadores. Ora se me disserem à partida que mais de metade do que eu irei ganhar terei que devolver ao Estado, qual será o meu incentivo, a minha motivação? Por certo continuarei a viver com o meu ordenado, reduzido mas seguro e garantido!
O segredo é mesmo transformar riqueza económica em riqueza social e igualdade de oportunidades. Ora sendo eu economista isto acaba por ser um pouco contraditório pois qualquer pessoa com algumas noções de economia sabe que a riqueza se alcança com a exploração das desigualdades e aproveitando os recursos com preços baixos. Mas isto é a imperfeição de toda e qualquer teoria! Há bons exemplos de como se deve transformar a riqueza económica em riqueza e bem-estar da população. É o caso dos países nórdicos em que temos liberdade, notória qualidade de vida, um Estado liberal, democrático, pouco “pesado”, pouco interventivo e que apenas define as linhas mestras de organização da sociedade dando todas as condições necessárias aos seus cidadãos para que possam viver em harmonia, segurança e com igualdade de oportunidades. Também é certo que esta forma de organização resulta em grande parte da própria cultura dos seus habitantes pois têm uma perfeita noção do papel de cada individuo na sociedade bem como do seu Estado. São perfeitamente capazes de denunciar quem tenta quebrar as regras fugindo às suas obrigações. Um sueco ou Norueguês não hesita em denunciar um vizinho que foge ao fisco ao passo que um latino questiona o vizinho de como se pode, também ele, fugir às obrigações fiscais. Também não é menos correcto concluir que os Estados que não nos dão confiança e garantias acabam por perder todo o respeito dos seus cidadãos e ganham potenciais “inimigos” incumpridores. É uma pescadinha de rabo na boca! No entanto, não há dúvidas que todos os exemplos de cumprimento e respeito pelas leis terão que partir do Estado e das autoridades públicas, trabalhando para o Bem Público. Só assim, com alguns anos ou mesmo gerações a cultura cumpridora dos cidadãos irá a reboque e será possível atingir uma boa harmonia entre estes 2 pratos de mesma balança.
O grande problema da política acaba por ser o facto das pessoas se ligarem em demasia aos ideais que cada ramo enceta, esquecendo as verdadeiras necessidades dos indivíduos como parte integrante duma sociedade. Alguns ficaram completamente para trás neste processo evolutivo e vivem em autênticas utopias e sonhos completamente impossíveis de concretizar nos tempos modernos. Os extremos (tanto à esquerda como à direita) também nunca serão uma opção válida pois os desequilíbrios que causariam seriam tremendos. A política tem hoje uma forte influência na economia! Ou melhor: a economia tem uma influência fulcral na política e esta anda agora a reboque das teorias e realidades económicas. Com o processo de globalização a Economia tornou-se a fonte, a origem e causa de tudo e a Política acaba por seguir no seu encalço, “dançando” ao seu ritmo. Só com uma economia estável qualquer governo pode garantir um benefício social a todos os seus cidadãos. Quando, tanta vez, se diz que todos deveriam ganhar o mesmo, que deveria ser retirada riqueza aos mais ricos e distribuir pelos menos ricos, isso é um grande erro pois o que mexe qualquer economia é o investimento e a expectativa de obter resultados compensadores. Ora se me disserem à partida que mais de metade do que eu irei ganhar terei que devolver ao Estado, qual será o meu incentivo, a minha motivação? Por certo continuarei a viver com o meu ordenado, reduzido mas seguro e garantido!
O segredo é mesmo transformar riqueza económica em riqueza social e igualdade de oportunidades. Ora sendo eu economista isto acaba por ser um pouco contraditório pois qualquer pessoa com algumas noções de economia sabe que a riqueza se alcança com a exploração das desigualdades e aproveitando os recursos com preços baixos. Mas isto é a imperfeição de toda e qualquer teoria! Há bons exemplos de como se deve transformar a riqueza económica em riqueza e bem-estar da população. É o caso dos países nórdicos em que temos liberdade, notória qualidade de vida, um Estado liberal, democrático, pouco “pesado”, pouco interventivo e que apenas define as linhas mestras de organização da sociedade dando todas as condições necessárias aos seus cidadãos para que possam viver em harmonia, segurança e com igualdade de oportunidades. Também é certo que esta forma de organização resulta em grande parte da própria cultura dos seus habitantes pois têm uma perfeita noção do papel de cada individuo na sociedade bem como do seu Estado. São perfeitamente capazes de denunciar quem tenta quebrar as regras fugindo às suas obrigações. Um sueco ou Norueguês não hesita em denunciar um vizinho que foge ao fisco ao passo que um latino questiona o vizinho de como se pode, também ele, fugir às obrigações fiscais. Também não é menos correcto concluir que os Estados que não nos dão confiança e garantias acabam por perder todo o respeito dos seus cidadãos e ganham potenciais “inimigos” incumpridores. É uma pescadinha de rabo na boca! No entanto, não há dúvidas que todos os exemplos de cumprimento e respeito pelas leis terão que partir do Estado e das autoridades públicas, trabalhando para o Bem Público. Só assim, com alguns anos ou mesmo gerações a cultura cumpridora dos cidadãos irá a reboque e será possível atingir uma boa harmonia entre estes 2 pratos de mesma balança.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Infância revisitada
“Fod...-se, pá! Não vale bujardas à figura, caral…!“. O que há a retirar daquele grupo de fedelhos de 10 anos a jogar ao “Quem falha vai à baliza”, no ringue do meu bairro, é um sentimento de alivio e saudosamente agradável! Isto porque apesar do linguarejo é de salutar que 6 miúdos daquela idade estejam ali, na rua, sozinhos, de calções sujos, em tronco nu quando já batem as 20 horas e por entre chutos de bico vão silenciosamente receando o berro das mães para irem jantar. É de salutar que não estejam fechados em casa a jogar playstation enquanto fingem que fazem os trabalhos da escola. Ali não estão certamente a fazer os trabalhos mas mal ou bem estão a conviver, estão a crescer e a aprender valores muito básicos que não se aprendem nem nos livros, nem nos jogos de computador. Aprendem os palavrões, aprendem a levar uns calduços e sopapos dos mais velhos, vão a prender que as regras do jogo mudam em cada 2 minutos e que os putos mais novos nunca têm razão, que os golos destes nunca valem e só rematam quando os mais velhos estão cansados ou fartos. “Goloooo… antes do meio campo vale a dobrar, ein. São dois golos – Quem disse, caral…?- Ahh, joguei uma vez com um primo meu que é mais velho e muita fixe e ele disse que era assim! – Ah, tá bem!”. Todos nós, os que tivemos uma infância normal, vivemos estas experiências e eu cheguei a recear não presenciar mais estes nostálgicos episódios. Os centros urbanos e os arredores dormitórios das grandes cidades carecem deste à vontade e liberdade que as crianças devem ter para brincarem e conviverem na rua. Os crimes e raptos assustam os pais que também parecem ter um pouco de preguiça, falta de tempo ou pouca vontade em saindo de casa com os seus filhos, vigiando-os mas deixando-os brincar com os amigos do bairro. E nem precisam de lá estar todos os pais. Se ganharem a confiança de alguns dos seus vizinhos podem-se revezar com a segurança que nada acontece aos seus filhos. Também não podemos viver sempre oprimidos e receosos de socializar e viver em comunidade. Aliás quanto mais pessoas andarem na rua e nos bairros mais desencoraja os próprios delinquentes e criminosos que acabam sempre por fugir às multidões.
A violência moderna e a queda do herói de Hollywood
(Samora Correia - Abril 2009)
Estava eu a ver um filme do Van Dame em que ele surpreendentemente, ou talvez não, chega a uma cidade do interior sem lei e dá uma valente tareia em 5 marmanjos de grande porte que assaltavam uma mulher, linda por sinal, que por muita coincidência vai para a cama com o actor no final do filme! E depois pensei: isto nos tempos de hoje era impossível e por várias razões. Enumerando algumas: 1º- os marmanjos não estariam a assaltar uma mulher bonita mas sim a bomba de gasolina mais próxima; 2º- pelo menos 4 dos 5 marmanjos estavam armados das mais sofisticadas armas de fogo, incluindo uma shotgun e um lança granadas; 3º - deste modo o nosso herói apenas poderia dar o 1º murro e o resto eram apenas tiros e o seu sangue iria manchar a calçada de tal forma que demoraria semanas a desaparecer; 4º - a mulher bonita não ia para a cama com o herói porque 1º ele estaria todo suado, furado e sujo e seria uma javardice, coisa que as mulheres bonitas de hoje não toleram e 2º porque ela iria fugir e receber tratamento psicológico sofrendo do trauma para toda a vida!
Pois é… já não há espaço para estes heróis! O verdadeiro herói foi aquele que conseguiu passar despercebido ao lado dos assaltantes sem levar um balásio e ainda conseguiu ver a tranca da miúda boazona enquanto os bandidos a tentavam violar!
Nos tempos de hoje é incrível como, em pleno dia e pleno centro de Lisboa, a multidão passa ao lado de um drogado a assaltar uma velhinha ou um puto da escola voltando a cara ignorando o drama do assaltado. Já presenciei e também fiquei imóvel esperando apenas uma única pessoa que reagisse e gritasse com o assaltante mas… nada! Falta solidariedade e espírito de entreajuda! Talvez na aldeia fosse diferente e o assaltante levasse com o cabo de uma enxada ou um ancinho, talvez!
Heróis à parte, que já não os há, a problemática da violência moderna encerra muitas questões e particularidades. É sem duvida um problema social que resulta de anos e anos de ignorância e esquecimento por parte do poder politico, de outros problemas sociais graves que nunca foram combatidos e resolvidos. Vemos também o exemplo da França e principalmente dos arredores de Paris onde os emigrantes, desde sempre excluídos e renegados à ausência de oportunidades, se começaram a revoltar e o mínimo desacato desencadeia uma onda de violência muito difícil de travar. Sei que este parece um discurso politico da oposição e, não quero com isto, ilibar as pessoas dos seus actos criminosos pois agora só resta mesmo castiga-los. Mas, e quem castiga e chama à responsabilidade todos os ministros de solidariedade social, emprego ou economia que tendo todos os meios monetários e estudos e alertas de pessoas que trabalhavam junto destas minorias, ignoraram ou puseram em prática medidas vagas sem concertação e totalmente ineficazes.
Mas o que é mais assustador ainda não é esta onda de violência ou a facilidade que estes bandidos têm em decidir quem morre ou vive a quem se atravessa nos seus caminhos. O que assusta é que esta situação não tem um final à vista, nem feliz nem menos feliz pois por cada pai preso ou fugido da policia teremos 2 ou 3 filhos traumatizados com a ausência e o mau exemplo dos mesmos e com enormes probabilidades de se tornarem iguais ou piores aos seus progenitores. Os miúdos, principalmente os que habitam nestes bairros problemáticos, acabam por aprender e se formar não na escola dos números e das letras mas sim na escola da vida de rua, lado a lado com a violência e com o dinheiro fácil proveniente do tráfico de droga e do roubo.
Considero assim que ignora-los ou remete-los para bairros sociais e dar-lhes um rendimento mínimo é de longe a pior solução! Peguem nem que seja num em cada 5 miúdos destes grupos de risco e dêem-lhe uma oportunidade de tirar um bom curso de fotografia, técnico de som, pintura, mecânico ou técnico de manutenção e acompanhem-no. A escolaridade após o 9º ano é uma aposta a muito longo prazo com poucas probabilidades de sucesso até porque: 1º para se ter sucesso em tantos anos de escola é necessário um lar estável e que dê bastante apoio (coisa rara nestes meios); 2º - até mesmo os alunos com bom ambiente familiar e bom aproveitamento têm enormes dificuldades em arranjar emprego após tantos anos de estudo. E essa falta de trabalho aliada a baixas expectativas de uma sólida e rápida integração e realização profissional origina uma desilusão do tamanho do mundo e as consequências tornam-se ainda mais graves e quase irreversíveis. Não forcemos estes miúdos e não os “empurremos” para um longo túnel que a única luz que poderá surgir no fim poderá ser a que “baterá” num banco de jardim nos longos dias sem emprego ou a luz frouxa que poderá entrar pela janela estreita de uma prisão de esquadra do bairro.
Por cada jovem que ajudarmos estamos a garantir uma boa integração para os seus futuros filhos. É uma aposta no futuro e não uma solução momentânea de curto prazo!
Estava eu a ver um filme do Van Dame em que ele surpreendentemente, ou talvez não, chega a uma cidade do interior sem lei e dá uma valente tareia em 5 marmanjos de grande porte que assaltavam uma mulher, linda por sinal, que por muita coincidência vai para a cama com o actor no final do filme! E depois pensei: isto nos tempos de hoje era impossível e por várias razões. Enumerando algumas: 1º- os marmanjos não estariam a assaltar uma mulher bonita mas sim a bomba de gasolina mais próxima; 2º- pelo menos 4 dos 5 marmanjos estavam armados das mais sofisticadas armas de fogo, incluindo uma shotgun e um lança granadas; 3º - deste modo o nosso herói apenas poderia dar o 1º murro e o resto eram apenas tiros e o seu sangue iria manchar a calçada de tal forma que demoraria semanas a desaparecer; 4º - a mulher bonita não ia para a cama com o herói porque 1º ele estaria todo suado, furado e sujo e seria uma javardice, coisa que as mulheres bonitas de hoje não toleram e 2º porque ela iria fugir e receber tratamento psicológico sofrendo do trauma para toda a vida!
Pois é… já não há espaço para estes heróis! O verdadeiro herói foi aquele que conseguiu passar despercebido ao lado dos assaltantes sem levar um balásio e ainda conseguiu ver a tranca da miúda boazona enquanto os bandidos a tentavam violar!
Nos tempos de hoje é incrível como, em pleno dia e pleno centro de Lisboa, a multidão passa ao lado de um drogado a assaltar uma velhinha ou um puto da escola voltando a cara ignorando o drama do assaltado. Já presenciei e também fiquei imóvel esperando apenas uma única pessoa que reagisse e gritasse com o assaltante mas… nada! Falta solidariedade e espírito de entreajuda! Talvez na aldeia fosse diferente e o assaltante levasse com o cabo de uma enxada ou um ancinho, talvez!
Heróis à parte, que já não os há, a problemática da violência moderna encerra muitas questões e particularidades. É sem duvida um problema social que resulta de anos e anos de ignorância e esquecimento por parte do poder politico, de outros problemas sociais graves que nunca foram combatidos e resolvidos. Vemos também o exemplo da França e principalmente dos arredores de Paris onde os emigrantes, desde sempre excluídos e renegados à ausência de oportunidades, se começaram a revoltar e o mínimo desacato desencadeia uma onda de violência muito difícil de travar. Sei que este parece um discurso politico da oposição e, não quero com isto, ilibar as pessoas dos seus actos criminosos pois agora só resta mesmo castiga-los. Mas, e quem castiga e chama à responsabilidade todos os ministros de solidariedade social, emprego ou economia que tendo todos os meios monetários e estudos e alertas de pessoas que trabalhavam junto destas minorias, ignoraram ou puseram em prática medidas vagas sem concertação e totalmente ineficazes.
Mas o que é mais assustador ainda não é esta onda de violência ou a facilidade que estes bandidos têm em decidir quem morre ou vive a quem se atravessa nos seus caminhos. O que assusta é que esta situação não tem um final à vista, nem feliz nem menos feliz pois por cada pai preso ou fugido da policia teremos 2 ou 3 filhos traumatizados com a ausência e o mau exemplo dos mesmos e com enormes probabilidades de se tornarem iguais ou piores aos seus progenitores. Os miúdos, principalmente os que habitam nestes bairros problemáticos, acabam por aprender e se formar não na escola dos números e das letras mas sim na escola da vida de rua, lado a lado com a violência e com o dinheiro fácil proveniente do tráfico de droga e do roubo.
Considero assim que ignora-los ou remete-los para bairros sociais e dar-lhes um rendimento mínimo é de longe a pior solução! Peguem nem que seja num em cada 5 miúdos destes grupos de risco e dêem-lhe uma oportunidade de tirar um bom curso de fotografia, técnico de som, pintura, mecânico ou técnico de manutenção e acompanhem-no. A escolaridade após o 9º ano é uma aposta a muito longo prazo com poucas probabilidades de sucesso até porque: 1º para se ter sucesso em tantos anos de escola é necessário um lar estável e que dê bastante apoio (coisa rara nestes meios); 2º - até mesmo os alunos com bom ambiente familiar e bom aproveitamento têm enormes dificuldades em arranjar emprego após tantos anos de estudo. E essa falta de trabalho aliada a baixas expectativas de uma sólida e rápida integração e realização profissional origina uma desilusão do tamanho do mundo e as consequências tornam-se ainda mais graves e quase irreversíveis. Não forcemos estes miúdos e não os “empurremos” para um longo túnel que a única luz que poderá surgir no fim poderá ser a que “baterá” num banco de jardim nos longos dias sem emprego ou a luz frouxa que poderá entrar pela janela estreita de uma prisão de esquadra do bairro.
Por cada jovem que ajudarmos estamos a garantir uma boa integração para os seus futuros filhos. É uma aposta no futuro e não uma solução momentânea de curto prazo!
Criação da Reserva Natural do Macho Ibérico
(Samora Correia, 16.09.2008)
Confesso deste já que este assunto não foi criado ou inventado por mim mas, dada a importância e gravidade do problema era inevitável partilhar a minha preocupação. Pegando numa pequena crónica simples mas eficaz do caro jornalista João Miguel Tavares venho aqui levantar uma reflexão a uma mudança gravíssima que vem ocorrendo na sociedade portuguesa em particular, e na Península Ibéria em geral: o desaparecimento do Macho Ibérico. E Macho Ibérico com maiúsculas tomando como exemplo um Acordão do próprio Supremo Tribunal de Justiça, quando em 1989 se referiu à “coutada do Macho Ibérico” para confirmar a condenação de um português por violação de 2 jovens Jugoslavas que, segundo o mesmo criticava as jovens de “pedir boleia em plena coutada do chamado Macho Ibérico”. Ora esta expressão ganhou assim maior força e relevância e agora, passados quase 20 anos, a situação é ainda mais grave pois… o Macho Ibérico está a desaparecer… em vias de extinção!
É triste mas poucos são os que resistem e os que o fazem têm, injustamente, sido criticados e recriminados pela sociedade moderna. Realmente se a sociedade se debate e discute todos os dias a vida difícil da mulher moderna com todas as questões de se dividir em carreira, família, filhos, beleza, imagem então e o homem??? Que deixou de chegar a casa e poder sentar-se no sofá, pedir os chinelos e uma bujeca fresca e comida quente na mesa? Que é agora “obrigado” a preocupar-se com os problemas e pseudo-problemas da mulher, a apanhar e dobrar a roupa, cozinhar e cuidar dos filhos e lembrar-se de enviar uma mensagem de telemóvel de beijinhos e corações à mulher a meio do dia pois senão já não a ama e ela em menos de um ano foge de casa. Fod… como é que é? E agora? Não há quem se preocupe com isto e com o Macho Ibérico? Onde estão os estudos e opiniões dos reputados psicólogos e sociólogos sobre esta problemática?
É triste… ainda por cima ignoram-se assim séculos e séculos de “trabalho” e esforço do Macho Ibérico em criar esta forma pura de viver em sociedade e em família… Tudo destruído em pouco mais de 15 anos! Resistem ainda os nossos avôs e pais, se bem que já dou com o meu pai a dobrar as meias e roupa interior da minha mãe!
Tudo perdido! Séculos e séculos de história e tradição!!!
Face à gravidade da situação defendo veemente a criação da Reserva Natural do Macho Ibérico! Isto, antes que abatam o ultimo Macho Ibérico! Poderiam ser várias, até! Locais legalmente criados e defendidos por uma policia própria onde identificasse e punisse todas as mulheres que abusam dos maridos e namorados por esse país fora, obrigando-os a segui-las, semana após semana, por entre os corredores de roupa amontoada em lojas de centros comerciais, e a dar uma opinião sobre uma t-shirt ou camisa igual a mais 4 que já tem em casa mas que ela insiste em que “o corte da ponta da manga é diferente de todas as outras e não tenho nenhuma destas”!
Quem protege o Macho Ibérico que preferia, com toda a certeza (ai do homem que o negue), estar num bar com os amigos a falar de futebol ou da boazona de vizinha de baixo?
Jamais as abordagens, piropos e maravilhas literárias e prosaicas bem típicas dos Machos Ibéricos poderiam ser recriminadas e mesmo julgadas, fosse qual fosse o Tribunal ou Justiça! Pelo contrário, deveriam ser criadas escolas ou cursos de especialização facultados nas juntas de freguesia ou workshops nos bares licenciados para tal… com diploma e tudo!
Como diz o outro: nós homens, somos todos Machos e todos Ibéricos, logo cabe-nos esta difícil tarefa de reivindicar, a cada dia, o nosso espaço nesta sociedade que dizem moderna e que não nos pediu a opinião na hora de mudar todo o conceito e papel do Macho na seio da mesma.
Pensem nisto … enquanto mudam a fralda ao vosso filho, ou dobram a roupinha da vossa mulher/namorada enquanto ela está no escritório a trabalhar até tarde ou no ginásio na sua aula semanal de body combat ou step!!!
Confesso deste já que este assunto não foi criado ou inventado por mim mas, dada a importância e gravidade do problema era inevitável partilhar a minha preocupação. Pegando numa pequena crónica simples mas eficaz do caro jornalista João Miguel Tavares venho aqui levantar uma reflexão a uma mudança gravíssima que vem ocorrendo na sociedade portuguesa em particular, e na Península Ibéria em geral: o desaparecimento do Macho Ibérico. E Macho Ibérico com maiúsculas tomando como exemplo um Acordão do próprio Supremo Tribunal de Justiça, quando em 1989 se referiu à “coutada do Macho Ibérico” para confirmar a condenação de um português por violação de 2 jovens Jugoslavas que, segundo o mesmo criticava as jovens de “pedir boleia em plena coutada do chamado Macho Ibérico”. Ora esta expressão ganhou assim maior força e relevância e agora, passados quase 20 anos, a situação é ainda mais grave pois… o Macho Ibérico está a desaparecer… em vias de extinção!
É triste mas poucos são os que resistem e os que o fazem têm, injustamente, sido criticados e recriminados pela sociedade moderna. Realmente se a sociedade se debate e discute todos os dias a vida difícil da mulher moderna com todas as questões de se dividir em carreira, família, filhos, beleza, imagem então e o homem??? Que deixou de chegar a casa e poder sentar-se no sofá, pedir os chinelos e uma bujeca fresca e comida quente na mesa? Que é agora “obrigado” a preocupar-se com os problemas e pseudo-problemas da mulher, a apanhar e dobrar a roupa, cozinhar e cuidar dos filhos e lembrar-se de enviar uma mensagem de telemóvel de beijinhos e corações à mulher a meio do dia pois senão já não a ama e ela em menos de um ano foge de casa. Fod… como é que é? E agora? Não há quem se preocupe com isto e com o Macho Ibérico? Onde estão os estudos e opiniões dos reputados psicólogos e sociólogos sobre esta problemática?
É triste… ainda por cima ignoram-se assim séculos e séculos de “trabalho” e esforço do Macho Ibérico em criar esta forma pura de viver em sociedade e em família… Tudo destruído em pouco mais de 15 anos! Resistem ainda os nossos avôs e pais, se bem que já dou com o meu pai a dobrar as meias e roupa interior da minha mãe!
Tudo perdido! Séculos e séculos de história e tradição!!!
Face à gravidade da situação defendo veemente a criação da Reserva Natural do Macho Ibérico! Isto, antes que abatam o ultimo Macho Ibérico! Poderiam ser várias, até! Locais legalmente criados e defendidos por uma policia própria onde identificasse e punisse todas as mulheres que abusam dos maridos e namorados por esse país fora, obrigando-os a segui-las, semana após semana, por entre os corredores de roupa amontoada em lojas de centros comerciais, e a dar uma opinião sobre uma t-shirt ou camisa igual a mais 4 que já tem em casa mas que ela insiste em que “o corte da ponta da manga é diferente de todas as outras e não tenho nenhuma destas”!
Quem protege o Macho Ibérico que preferia, com toda a certeza (ai do homem que o negue), estar num bar com os amigos a falar de futebol ou da boazona de vizinha de baixo?
Jamais as abordagens, piropos e maravilhas literárias e prosaicas bem típicas dos Machos Ibéricos poderiam ser recriminadas e mesmo julgadas, fosse qual fosse o Tribunal ou Justiça! Pelo contrário, deveriam ser criadas escolas ou cursos de especialização facultados nas juntas de freguesia ou workshops nos bares licenciados para tal… com diploma e tudo!
Como diz o outro: nós homens, somos todos Machos e todos Ibéricos, logo cabe-nos esta difícil tarefa de reivindicar, a cada dia, o nosso espaço nesta sociedade que dizem moderna e que não nos pediu a opinião na hora de mudar todo o conceito e papel do Macho na seio da mesma.
Pensem nisto … enquanto mudam a fralda ao vosso filho, ou dobram a roupinha da vossa mulher/namorada enquanto ela está no escritório a trabalhar até tarde ou no ginásio na sua aula semanal de body combat ou step!!!
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Moi même e a vontade de escrever
Pois é… alguns bons anos após os últimos rabiscos num velho caderno de argolas…
Aqui começo uma nova etapa muito mais moderna e tecnológica usando o… computador e o respectivo Word!!! Grande inovação! Com grande vantagem de corrigir automaticamente os meus erros ortográficos.
Procuro aqui reunir algumas estórias, crónicas, reflexões e desabafos que vêm de muitos anos atrás, quando a minha cara ainda era invadida por um acne asqueroso que me diminuía todos os dias o meu nível de autoconfiança. Coisas próprias da idade!
Este espaço poder-se-ia chamar também “A problemática dos problemas”, tantos foram as questões, duvidas e pseudo-problemas que esta cabeça tropeçava todos os dias da minha existência.
Estive durante anos hesitante em tornar “publico” todos estes artigos! Tenciono agora reuni-los e expô-los, não porque ache que sejam de uma riqueza literária e cultural inegáveis ou achar que um dia seriam publicados e fazer sucesso numa prateleira inferior duma estante de supermercado, mas para deixar este testemunho para todos os que por esta vida me conheceram mas que não tiveram oportunidade de ouvir todas as minhas estórias, tretas e reflexões… Até porque eu próprio nunca quis impingir qualquer discurso e opinião a quem quer que fosse, com medo de aborrecer quem eu até possa prezar. Deste modo, nunca poderei ser acusado de tal sacrilégio até porque assim só lê quem quiser, quando quiser e até onde quiser! Nada mais liberal!
Começo por pedir desculpa pela falta de riqueza e brilho literário até porque alguns dos textos foram escritos em tenra idade e os que bem me conhecem sabem que ler nunca foi o meu forte. Reitero aqui a descomplexidade com que, sem a mínima vergonha, confesso a ausência do hábito de leitura, seja das grandes ou das pequenas obras da cultura literária. Nem as obrigatórias nos planos escolares! Sempre preferi a conversa, a treta, o convívio e o “parlapier”! Sim… aqui não tenho quaisquer dificuldades!
Aqui começo uma nova etapa muito mais moderna e tecnológica usando o… computador e o respectivo Word!!! Grande inovação! Com grande vantagem de corrigir automaticamente os meus erros ortográficos.
Procuro aqui reunir algumas estórias, crónicas, reflexões e desabafos que vêm de muitos anos atrás, quando a minha cara ainda era invadida por um acne asqueroso que me diminuía todos os dias o meu nível de autoconfiança. Coisas próprias da idade!
Este espaço poder-se-ia chamar também “A problemática dos problemas”, tantos foram as questões, duvidas e pseudo-problemas que esta cabeça tropeçava todos os dias da minha existência.
Estive durante anos hesitante em tornar “publico” todos estes artigos! Tenciono agora reuni-los e expô-los, não porque ache que sejam de uma riqueza literária e cultural inegáveis ou achar que um dia seriam publicados e fazer sucesso numa prateleira inferior duma estante de supermercado, mas para deixar este testemunho para todos os que por esta vida me conheceram mas que não tiveram oportunidade de ouvir todas as minhas estórias, tretas e reflexões… Até porque eu próprio nunca quis impingir qualquer discurso e opinião a quem quer que fosse, com medo de aborrecer quem eu até possa prezar. Deste modo, nunca poderei ser acusado de tal sacrilégio até porque assim só lê quem quiser, quando quiser e até onde quiser! Nada mais liberal!
Começo por pedir desculpa pela falta de riqueza e brilho literário até porque alguns dos textos foram escritos em tenra idade e os que bem me conhecem sabem que ler nunca foi o meu forte. Reitero aqui a descomplexidade com que, sem a mínima vergonha, confesso a ausência do hábito de leitura, seja das grandes ou das pequenas obras da cultura literária. Nem as obrigatórias nos planos escolares! Sempre preferi a conversa, a treta, o convívio e o “parlapier”! Sim… aqui não tenho quaisquer dificuldades!
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